quinta-feira, 11 de junho de 2009

MISTÉRIOS DO MAR...

Rayma Lima (02.10.04)



Observo a força das ondas deste mar...
Mar infinito... verde mar,
de repente suas ondas chegam...
brancas ondas, água em abundância,
como se fosse um grito de dor no ar.

Comparo o mar neste instante
como meu estado de espírito
calmo, leva a refletir sobre a vida,
a natureza as pessoas,
nada me rodeia, só existe o mar e eu,
mas logo percebo que há
algo acima de nós, o céu;
somente o céu, o mar e eu alí existimos.

Mas quando sua onda aparece,
mesmo distante,
seu pranto é sentido, como meu coração,
que grita de dor e saudade,
quero ver você, quero ter você, mas como?
Este oceano separa, não pela distância,
e sim pela circunstância.

Choro, lágrimas de dor continuam a lhe chamar
Porém não me ouve, de nada adianta...
Quisera ter você, amar você e,
mas no entanto não pode me aconchegar
Como seria diferente se estivesse comigo agora,
olhando o mar...

Vejo crianças correndo, felizes,
corpos molhados na areia a rolar
Estou só, sem saber onde está,
pois ainda existe o céu e o mar,
Olho para o céu e vejo o encontro das nuvens
que parecem figuras de dois corações
enamorados; e continuo a lhe chamar.

Vida minha, espero que
ainda nos encontremos
Para vivermos os momentos
mágicos que já tivemos
Sinto que este dia chegará
E entre o céu, o mar e eu,
com certeza a felicidade estará.

http://www.stationary.olga.kapatti.nom.br/CIRANDAS/mar/ciranda_mar_parte_dois.htm

sexta-feira, 27 de março de 2009

Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso q
ue não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.





Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I
Caminho




















segunda-feira, 23 de março de 2009

Outro tipo de mulher nua.



Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali. Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas.

O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?

Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas.
Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.

Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade...
emocionalmente.



Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso.
É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera,
que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.

Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos. Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.

Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira.
Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência.

Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior.
Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

Texto de:
Martha Medeiros ( ? )



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Preso a Viajar




















Preso, estou preso. Sim, apenas preso!

Quatro paredes, uma janela com grades.

Depois das grades, outras grades e um pátio preso.


O pátio está tão preso quanto eu, ou... ainda mais preso.

Eu vejo o pátio, outros presos, paredes e grades,

Mas o pátio nada vê, senão a luz do dia e o próprio sol.


E reparem que eu também o vejo.

Sol quadrado, sol de grades, mas sol!

Porque eu também viajo. Sim, eu posso viajar!

Entre paredes, grades e o pátio,

Pela luz, o sol e as frases.


Viajo entre campos, ruas e mares,

Pelos caminhos que devia trilhar.

Viajo pelo tempo donde não há pátio,

Nem paredes ou grades.


Sou o tudo e o nada, alguém e ninguém,

Tenho o tudo e o nada, como todos também tem.


Preso, estás preso. Sim apenas preso!

Como o pátio e como... mais alguém.

O' Liver Five


Miserável Amorfo






Miserável Amorfo.









Prazeres clandestinos de espinhos vacilantes,

Sufocados sussurros de melancólicas pétalas desbotadas.

Enfeites de uma visão de oníricos idos deleites.

Preâmbulos dum silêncio de nefastas penumbras,

De insano delírio, de gritos da omissão.


Cruel, terrível e enigmática luz de ofuscados lustres.

Pó entretecido por hábeis agulhas, símbolos da arte maior,

Mas de sublime a temida, tombando em negras lágrimas

De insípidos objectos de desdém.


Rotura intempestiva no rombo do sensível órgão,

Cuja seiva arrefecida, vai lenta e sucessivamente

Estagnando a ilusão e razão do ser.


A emoção suspensa sob a tirana ditadura de cordéis

E esboços animados de nefastas vontades.

Viperinos desejos sob finas camadas de

“Delicadeza” e soberba hipocrisia,

Diligenciando intrepidamente contra seu inimigo, o Amor.


O’ Liver Five


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Parque Nacional da Peneda do Gerês




"Refúgio e escape" para uns.

"Descanso e descontracção" para muitos.



















"Bucólica paisagem", ainda para outros.

"Magia, encanto e inspiração" para mais alguns poucos.


Não importará muito qual a definição que possamos atribuir ao Gerês, mas é impossível ficar-lhe indiferente.


Longe da azáfama diária das grandes urbes, com magnifica gastronomia e repousantes hotéis e pensões, associado a parques de campismo e de merendas, diversas lojas de lembranças e de produtos regionais, águas termais, monumentos, percursos pedestres, albufeiras, trilhos, actividades lúdicas, locais com vistas que cortam a respiração, rios refrescantes, cascatas deslumbrantes, fauna e flora únicas ...


... enfim, são tantas e tão belas as surpresas que o Gerês nos reserva, que as palavras são incapazes de transmitir as inúmeras emoções e a serena sensação de felicidade, o registo de prazer, e a certeza de que vale bem a pena continuar a viver.












Visite o Gerês, vá com tempo, delicie-se das ofertas da região, tome tempo para meditar e respirar fundo, e regresse ao seu quotidiano com a certeza de que, se esteve de facto atento ao entorno da natureza e sua imensidão, nunca mais voltará a ser o mesmo.






Ainda, se for um amante da natureza, encontrará espécies difíceis de encontrar em outros lugares, algumas talvez mesmo exclusivas do Gerês dentro do panorama nacional.










Boa viagem!












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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Até que o Despertar já não Venha



Penosas lágrimas se formam e não brotam.
Profundos rasgos dilaceram e não sangram.

Vibrante e latejante dor se alinhará.


Por que, por que só eu assim germinei.
Por que, por que só eu assim abrasei.

Quantas mágoas ainda o curso instigará.


Nefastas penas se proferem e me castigam.
Travo absíntico de tormentos me ajuízam.

Pungente tortura que um pranto impelirá.


Até que o despertar já não venha.
Até que o ocaso se detenha, se entretenha.

Assim o mesquinho orgulho desfrutará.


O' Liver Five